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quarta-feira, 23 de setembro de 2020

A História de Penterville - Parte 2

    Graças a pandemia de covid-19, eu tive bastante tempo para voltar ao projeto, e devo dizer que embora siga na velocidade de lesma (até porque sou apenas eu e ninguém mais no projeto como era na época de sua primeira divulgação em 2011), o projeto teve um avanço considerável na história.
Uma novidade importante foi a decisão de abandonar o nome "Petroville" por "Penterville"que já era o nome da cidade, mas que ficou pra trás em dado momento. Afim de considerar as mudanças do jogo como permanentes e escolher um nome mais fidedigno ao conceito atual que o jogo tem ganhado forma, tomei a decisão de mudar definitivamente o nome original da cidade e descartar completamente a idéia de "Petroville" como base no cenário.

    Consertando questões temporais ao estudar melhor a localização e a história do estado do Arizona, fiz edições na minha postagem anterior (que sim, já tem 2 anos desde a última vez que mexi, e não duvido que minha próxima postagem demore tanto quanto). Confesso que a falta de um feedback meio que matou minha vontade de continuar. Mas agora já planejo começar a divulgar novamente o jogo. Incluindo uma página no Facebook que já está em ativa.

    Sem mais, vamos a continuação da história de Penterville.


Fundação - 1877 à 1882

    Quando William Gold Penter, chegou na região que se tornaria a nossa cidade em 1877, ele trazia com isso as esperanças e sonhos de um grupo de imigrantes estimuladas pelo Ato de Terra do Deserto, de 1877, que no final do século XIX fomentava a expansão para dentro de antigas terras indígenas no recém-formado estado do Arizona (1863). Como dito anteriormente, ali havia sido o lugar de assentamento do povo Hohokam, além de ser um local de conflito com o povo Navajo, cujo os demais assentamentos resistiam a expansão americana em outras regiões próximas. Fazia apenas alguns anos desde o último conflito com estes e os índios navajo, que se aliaram para defender-se contra a ocupação.

    Segundo os guias indígenas que levaram os pioneiros até a região, havia-se uma lenda de que os hohokams e os navajo teriam feito um pacto com um "grande espírito" para poder vencer os invasores. Após isso, eles desapareceram misteriosamente da região, embora oficialmente seja dito que eles havia apenas fugido ou sido exterminados pelos colonos em escaramuças. O ponto é que nenhum dos colonos que chegaram na região realmente encontraram qualquer indígena.  A região já estava completamente desabitada, e não chegou a haver nenhum confronto com qualquer nativo, como se deveria ter se imaginado. Esse fator se fez questionar se realmente o povo Hohokam e os Navajo tinham habitado o lugar, dado a inexistência de sinais de ocupação humana, coisas que permaneceriam obscurecidas após a formação da Sociedade Histórica de Penterville (1922), que pouco divulgou a respeito de material arqueológico na região. Além disso, os guias diziam que a presença do espírito invocado pelos indígenas ainda se fazia presente, e que por vezes aparecia como névoa.

    William G. Penter foi atraído pelos rumores de que a terra em questão escondia grandes tesouros minerais, e junto com os demais pioneiros, incentivou a busca por jazidas. Mas tudo que encontrou após a grande vagagem pelo deserto do Arizona foi uma floresta selvagem e inóspita. Com o tempo, assentaram um companhia madeireira, aproveitado a grande extensão da floresta e fundando a pequena Forestville em 1882, quando foi formada uma rede de comércio e suprimentos com o Forte e o rancho McDowell, onde mais tarde se formou Phoenix, a capital do estado.

O pacto - 1878 até o começo do século XX

    Forestville assentou uma população inicial de 144 pessoas, todas ligadas a grupo de famílias já especificadas na postagem anterior. Considera-se que foi no final de 1878, precisamente no começo do mês de novembro, que os Penters encontraram uma gruta contendo os restos dos hohokam. Os guias indígenas que levaram os pioneiros até a região diziam que a gruta era habitada por "Vo'kome Evoohta", ou "Visão em Branco", que se dizia ser capaz de devorar as almas dos inimigos e transforma-los em demônios, sendo dito que fora ele que eliminara os hohokam por não cumprirem seu pacto, transformando-os nas árvores da floresta. A gruta passou a ser chamada pelos Penters de Vo'kome Evoohta, enquanto a floresta passou a ser chamada de Bosque Hohokam (Hohokam Grove).
Não se sabe exatamente o que os Penters achavam dessas histórias, mas é fato que eles fizeram uma expedição na gruta, liderados por William, seu irmão Joseph, sua irmã Alessa, seu filho Albert e sua filha mais nova Katherine. Com exceção da filha mais nova de William, todos retornaram para o assentamento, carregando com estes alguns minérios. 

Embora intrigados com o desaparecimento da garota, os demais moradores do vilarejo acabaram tendo suas atenções voltadas aos minérios trazidos pelos Penters que uma vez avaliados, revelaram serem de grande valor comercial. Tempos mais tarde, porém, após o encontro do corpo de Katherine, em dezembro daquele mesmo ano, a gruta onde os minérios foram encontrado passou a ser chamada de "Descanso de Katherine" (Katherine Rest). Não se chegou a fazer uma investigação dos fatos, mas se diz que o pacto entre as 12 famílias teria tido sua gênese na morte de garota. Além disso, há relatos que no mês de novembro de 1878, toda a região do assentamento de Forestville foi coberta com névoa. O misterioso nevoeiro durou meses, permitindo que a visibilidade da região só voltasse ao normal já em fevereiro de 1879. Desde então, não se sabe exatamente como, as famílias dos colonos se ergueram com uma grande riqueza mineral, entre pedras semipreciosas, prata, chumbo, e posteriormente uma  possível descoberta de uma jazida de petróleo. Estabelecendo o pacto, ou Contrato, entre as famílias sobre a exploração destes recursos, o Contrato das 12 famílias passou a ser o marco zero da fundação da cidade e parte da identidade que ela adquiriria no decorrer dos anos. A verdade é que o Contrato determinou profundamente o desenvolvimento da cidade, garantido aos Penters a solidificação de sua influência enquanto garantiam que seus membros fossem designados a responder pela família diante do misterioso pacto feito junto ao contrato, e que segundo a lenda, foi realizado no interior da gruta de Katherine Rest.

    Em 1884, um grupo de católicos construiu próximo a gruta uma capela, dedicada a Saint Antoine, ao mesmo tempo que serveria para velar e homenagear os restos mortais de Katherine Penter, com algumas afirmações de que a garota deveria ser beatificada, algo que nunca chegou a ser confirmado pela comunidade católica da região. Mais tarde, a capela converteu-se na Igreja Saint Antoine que configurou também o surgimento do primeiro e principal cemitério da cidade, em 1890. No mesmo ano, foi construída a primeira avenida do vilarejo que ligava o pequeno posto da polícia, presidida pelo primeiro xerife de Penterville, Emmanuel Thompson, até a Igreja de Saint Antoine. A avenida seria vital para divisão das zonas e bairro do município em anos vindouros. Por influência de William, a rua passou a se chamar Av. Katherine Penter, em homenagem a criança falecida, embora as razões de sua morte permaneceram inexplicáveis até a prescrição do caso, em 1915.

Desenvolvimento - Começo do Século XX até final da Segunda Guerra Mundial

    Até o começo do século XX, a população de Forestville cresceu de 144 para cerca de 700 habitantes, que sob a supervisão das 12 famílias, construíram uma rede de ranchos irrigados por canais originalmente construídos pelos indios hohokam, que se estendia até a fronteira com recém formada cidade de Phoenix. Em 1895, Forestville foi elevada a município por uma lei estadual, que com as primeiras eleições, resultou no rebatismo da cidade para Penterville, sendo William G. Penter seu primeiro prefeito. Com ampliação estrutural e a construção de novas avenidas, o novo município passou a ser divido em três zonas, ao redor da Av. Katherine Penter: North Penterville, que tinha como seu marco principal o posto da polícia, Center Penterville, onde foi construída a primeira praça da cidade, a Thompson Square, e finalmente South Penterville, que tinha como marco a Igreja de Saint Antoine e o pequeno cemitério adjacente.
    Entre 1895 e 1912, no entanto, a morte de Katherine ainda repercutia na população local, dada a natureza pacata do município, mesmo após tantos anos. O que se sabe é que a falta de uma investigação precisa e a inquietação por parte dos habitantes da pequena cidade levaria ao surgimento de um movimento conhecido como "Servos da Justiça Suprema". Este grupo, formado por cristãos protestantes das mais diversas denominações e que mais tarde adquiriu um caráter claramente sectário  denunciavam a existência do "Contrato das 12 Famílias" como uma conspiração dos líderes mais influentes da cidade como um culto "a forças das trevas que no passado assolaram o antigo povo que aqui residia" e que "os líderes obedecendo a vontade de mestre sombrios, desejavam sacrificar os moradores de Penterville a vontade destes", apontado a morte da filha mais nova do patriarca, e então prefeito William G. Penter, de ter sido usada como sacrifício humano, em conluio com os líderes da família Greenfield e Anderson à misteriosa entidade da gruta de Katherine Rest. As acusações desencadearam uma reação violenta das autoridades municipais que consideraram a atitude destes sectários como pura difamação da história da cidade. Em setembro de 1912, os líderes do movimento foram todos presos, enquanto seus seguidores fugiram da cidade.

    Meses antes, porém no mesmo ano, uma professora de nome Hellen Rosenberg Honeywood, que era filha de um dos pioneiros da cidade e que estudara fora por alguns anos, chegou ao município em março de 1912 e, graças a influência de sua família no Contrato, angariou fundos para a criação de uma creche, convencendo mais tarde os moradores a ampliá-la. Assim, poucos meses depois, foi construída a primeira escola da cidade, a Rosenberg Elementary School, em South Penterville, em novembro de 1912.
Em 1921, Hellen R. Honeywood desapareceu misteriosamente, com relatos de que fora pela última vez avistada perambulado em meio ao Bosque Hohokam. Seu corpo foi encontrado meses depois, perto da capela de Saint Antoine. Pouco se sabe das razões de sua morte e apesar da comoção, foi dito que ela teria tido uma "crise de histeria" e se perdido no meio da floresta, sendo considerado que esta teria morrido de frio. Em sua homenagem, o então prefeito Emmanuel Thompson, ex-xerife da cidade procurou fundos para a construção de um memorial para a jovem professora, o que ocorreu no fim do seu mandato, em 1924, quando o município recebeu verbas para a construção de dois postos de saúde, que mais tarde tornaram-se os hospital Honeywood (1925) e Saint Hellen (1928).

    A descoberta de mais recursos minerais na gruta de Katherine Rest financiou o surgimento da companhia Megadron, uma empreiteira na área de exploração mineral vinda do estado de Minnesota em 1927, que posteriormente se dedicou a exploração petrolífera, presidida por Michael Stoneheim, que como representante de sua família, havia saído da cidade em 1910 para estudar e voltara agora como representante da empresa. A empreiteira cresceu o suficiente para financiar a construção de um assentamento urbano na região leste da cidade, derrubando vários hectares de Hohokam Grove, resultando na criação de East Penterville em 1928. O desenvolvimento da cidade levou a mesma a ter uma população de 20.000 habitantes segundo um censo feito em 1928.
A grande depressão causou problemas financeiros,  que somados a escândalos junto com a depressão dos anos 30 levaram a Megadron a fechar as portas,  desencadeado a debanda da população entre 1930 e 1945, indicando a presença de 9.758 habitantes no censo de 1944. Com a queda da população, a Rosenberg Elementary School se viu sem alunos, fechando suas portas em março de 1932, permanecendo abandonada durante o período da Segunda Guerra. Considera-se que foi nessa época que o medo de bombardeamentos nazistas ou japoneses levaram a construção de um abrigo subterrâneo no subsolo da escola, algo não confirmado pela aparência de abandono que a instituição demonstrou até 1945, mas que segundo rumores seria uma escolha proposital, visto que, segundo os boatos da época, uma escola abandonada teria menos chance de ser bombardeada do que uma estrutura visivelmente habitada.

    Nesse ano, Michael Stoneheim vendeu a falida Megadron para Blossom Inc., uma companhia  farmacêutica ascendente, que explorava os recursos naturais e vegetais de Hohokam Grove e cujo os sócios majoritários eram membros da família Penter, a família Thompson e a família Greenfield. A Blossom Inc. foi fundada por Jacob Hills em 1937, em Phoenix, mas por pressão de sua família e dos sócios, transferiu-se para Penterville, onde logo após 1945, passou a empregar quase a totalidade dos moradores da cidade durante metade do século XX, sendo que quem não trabalhava nela estava associado, do comércio local a rede de escolas. A revitalização econômica culminou em um novo crescimento populacional, que até 1947 garantiu que a população dobrasse primeiramente para 19.422 em 1946 para 38.325 em 1947. 

    O aumento demográfico culminou na reabertura da Rosenberg Elementary School que passou a fazer parte da rede escolar New Valley, uma organização filantrópica controlada pelos Greenfield, fundada em 1935, sendo que posteriormente passou a ser fortemente financiada pela Blossom Inc. Sua sede ficava em Yuma, ao sul do estado do Arizona, porém a pressão da família Penter transferiu a rede para Penterville em 1941. Focado na recuperação do sistema educacional da cidade, a rede New Valley rebatizou a escola Rosenberg como Colégio New Valley, e posteriormente uma nova estrutura foi construída, como uma piscina e um ginásio esportivo. O curioso é que ao invés de demolirem o prédio principal para a construção de um novo prédio, quase toda estrutura do edifício foi assentada sobre o prédio antigo, tendo poucas seções demolidas, por razões até hoje nunca muito bem explicadas. Essa forma incomum de construção levou a boatos da existência de salas secretas no interior da escola e que alimentariam lendas urbanas na comunidade ao redor.

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